terça-feira, 30 de março de 2010

SEMANA SANTA



A Semana Santa é tradição religiosa do Cristianismo que celebra a Paixão, a Morte e a Ressurreição de Jesus Cristo.

A Semana Santa se inicia na celebração da entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém, que ocorre do domingo de ramos, e tem seu término com a ressurreição de Jesus Cristo, que ocorre no domingo de Páscoa.

Domingo de Ramos

O Domingo de Ramos abre solenemente a Semana Santa, com a da entrada de Jesus em Jerusalém. Jesus é recebido em Jerusalem como um rei, mas os mesmos que o receberam com festa O condenará a morte.Jesus é recebido com ramos de palmeiras.

Segunda-Feira Santa

É o segundo dia da Semana Santa. Onde o Nosso Senhor dos Passos começa sua caminhada rumo ao calvário.

Terça-Feira Santa

É o terceiro dia da Semana Santa.

Quarta-Feira Santa

É o quarto dia da Semana Santa. Encerra-se na Quarta-feira Santa o período quaresmal. Em Algumas Igrejas celebra-se neste dia a piedosa procissão do encontro de Nosso Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores. Ainda há igrejas que neste dia celebra o Ofício das Trevas, lembrando que o mundo já está em trevas devido à proximidade da Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo

Quinta-Feira da Ceia

É o quinto dia da Semana Santa. Neste dia é relembrada especialmente a Última Ceia. É realizada nas catedrais diocesanas, a Missa de Crisma, onde o Bispo diocesano santifica o óleo dos Catecumenos e dos Enfermos e consagra o óleo de Crisma que será usado por todas as paróquias de sua diocese durante um ano até a próxima Quinta-feira Santa, onde o óleo que restou do ano seguinte é queimado. Para a consagração de Crisma, o Bispo pede a Jesus que envie o Espirito Santo Paráclito, para que torne o óleo santo e que todas as pessoas ungidas com ele se tornem "soldados de Cristo". A Tarde, após o pôr-do-sol, é celebrado a Missa de Lava-pés, onde relembra o gesto de humildade que Jesus realizou lavando os pés dos seus doze discípulos e comendo com eles a ceia derradeira. É neste momento que Judas Iscariotes sai correndo e vai entregar Jesus por trinta moedas de prata. É nesta noite em que Jesus é preso, interrogado e no amanhacer da Sexta-feira assoitado e condenado. A igreja fica em vígila ao Ssmo. relembrando as sofrimentos começados por Jesus nesta noite. A igreja já se revente de luto e tristeza desnudando os altares, quando é retirado todos os enfeites, toalhas, flores, velas, tudo para simbolizar que Jesus já está preso e consciente do que vai acontece.




Sexta-Feira Santa ou Sexta-Feira da Paixão

Este é o momento onde a Igreja recorda a Morte do Salvador. É o único dia que não se celebra a Missa e não há consagração das hóstias. É celebrado a Solena Ação Litúrgica, Paixão e Adoração da Cruz onde inicia-se com a equipe de celebração entrando em silencio, e o padre se prostrando no altar em sinal de humildade e de tristeza. É realizada a narrativa da paixão, que narra os acontecimentos desde quando Jesus foi interrogado, a Oração Universal, que reza polos que não crêem e Deus e em Cristo, pelos Judeus, pelos poderes públicos, dentre outros, e a Adoração da Cruz. Há comunhão, mais as partículas não são consagradas na sexta, se consagra uma quantidade maior na quinta-feira, seu nome antigo é comunhão dos pré-santificados. A noite tradicionalmente é realizada a Procissão do Enterro. Algumas Igrejas relembram as sete dores de Maria e encenam a descida da Cruz.

Sábado da Vigília ou Sábado da Aleluia

É o dia que antecede a ressurreição de Jesus Cristo, dia dedicado a oração junto ao túmulo do Senhor Morto. Nesta noite, é celebrada a Vigília Pascal, a vigília de todas as vigílias. Nela acontece a benção do fogo novo, a Proclamação da Páscoa e a Renovação das Promessas do Batismo. Com o fogo novo se acende o Círio Pascal, que representa a vida nova em Jesus Cristo.

Domingo de Páscoa

É o dia da ressurreição de Jesus, e a comemorações mais importantes do cristianismo, que celebra a vida, o amor e a misericórdia de Deus. Este é o último dia do Tríduo Pascal e em muitos locais do mundo, nomeadamente no Brasil em muitas regiões de Portugal, marca o último dia da Semana Santa.

sexta-feira, 26 de março de 2010

ZUMBI DOS PALMARES NOSSO MÁRTIRE


Zumbi dos Palmares, cuja morte, em 20 de novembro de 1695, motiva a celebração, amanhã, em todo o país, do Dia da Consciência Negra, foi um dos líderes do Quilombo dos Palmares, o mais conhecido núcleo de resistência negra à escravidão no país.

Segundo cronologia publicada na página da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), órgão ligado à Presidência da República, Palmares surgiu a partir da reunião de negros fugidos da escravidão nos engenhos de açúcar da Zona da Mata nordestina, em torno do ano de 1600. Eles se estabeleceram na Serra da Barriga, onde hoje é o município de União dos Palmares (AL). Ali, devido às condições de díficil acesso, puderam organizar-se em uma comunidade que, estima-se, chegou a reunir mais de 30 mil pessoas

Muitos dos quilombolas eram índios e brancos pobres, como conta texto na página da internet da Fundação Joaquim Nabuco, outro órgão federal, com sede em Recife. Nabuco foi expoente do movimento abolicionista. "A vida de Zumbi, o rei do Quilombo dos Palmares, é pouco conhecida e envolta em mitos e discussões", alerta o texto - vários dos trechos abaixo, portanto, são objeto de polêmicas entre os historiadores.

Ao longo do século 17, Palmares resistiu a investidas militares dos portugueses e de holandeses - que dominaram parte do Nordeste de 1630 a 1654. Segundo o historiador Pedro Paulo Funari, no artigo "A República de Palmares e a Arqueologia da Serra da Barriga", em 1644, um ataque holandês vitimou 100 pessoas e aprisionou 31, de um total de 6 mil que viviam no quilombo.

Funari também afirma que o quilombo (termo derivado de língua da região de Angola) era chamado pelos portugueses de República dos Palmares, nos documentos da época, e termos como mocambo foram posteriormente utilizados no sentido pejorativo. O quilombo era composto por várias aldeias, de nomes africanos, como Aqualtene, Dombrabanga, Zumbi e Andalaquituche, indígenas, como Subupira, ou Tabocas, e portugueses, como Amaro. A capital era Macacos, termo de origem incerta (pode ser português ou corrutela do banto macoco).

Zumbi nasceu livre, em Palmares, provavelmente em 1655, e, segundo historiadores, seria descendente do povo imbamgala ou jaga, de Angola. Ainda na infância, durante uma das tentativas de destruição do quilombo, ele foi raptado por soldados portugueses e teria sido dado ao padre Antonio Melo, de Porto Calvo (hoje, em Alagoas), que o batizou de Francisco e ensinou-lhe português e latim. Aos dez anos tornou-o seu coroinha.

Com 15 anos, Francisco foge, retorna a Palmares e adota o nome de Zumbi - termo de significado incerto. O nome de Zumbi apareceu pela primeira vez em 1673, em relatos portugueses sobre a expedição chefiada por Jácome Bezerra, que foi desbaratada pelos quilombolas.

Aos 20 anos, Zumbi destacou-se na luta contra os militares comandados pelo português Manuel Lopes. Nesses combates, chegou a ser ferido com um tiro na perna.

Em 1678, o governador de Pernambuco, Pedro de Almeida, propõe a Palmares anistia e liberdade a todos os quilombolas. Segundo o historiador Edison Carneiro, autor do livro "O Quilombo dos Palmares", ao longo dos quase 100 anos de resistência dos palmarinos, foram inúmeras as ofertas como essa.

Ganga Zumba (possivelmente um título - nganga significa sacerdote, e nzumbi "possui conotações militares e religiosas", segundo Funari), então líder de Palmares, concorda com a trégua, enquanto Zumbi é contra, por argumentar que o acordo favoreceria a continuidade do regime de escravidão praticado nos engenhos. Zumbi vence a disputa, é aclamado líder pelos que discordavam do acordo e, aos 25 anos, torna-se líder do quilombo.

Ao longo da vida, Zumbi teria tido pelo menos cinco filhos. Uma das versões diz que ele teria se casado com uma branca, chamada Maria. Ao longo de seu reinado, Zumbi passou a comandar a resistência aos constantes ataques portugueses.

Em 1692, o bandeirante paulista Domingo Jorge Velho, uma espécie de mercenário da época, comandou um ataque a Palmares e teve suas tropas arrasadas. O quilombo foi sitiado e só capitulou em 6 de fevereiro de 1694, quando os portugueses invadem o principal núcleo de resistência, a Aldeia do Macaco.

Ferido, Zumbi foge. Baleado, ele teria caído de um desfiladeiro, o que deu origem à história de que teira se suicidado para evitar a prisão. Resistiu na mata por mais de um ano, atacando aldeias portuguesas. Em 20 de novembro do ano seguinte, depois de ser traído por um antigo companheiro, Antonio Soares, Zumbi é localizado pelas tropas portuguesas.

Preso, Zumbi é morto, esquartejado, e sua cabeça é levada a Olinda para ser exposta publicamente. Entre outros objetivos, o de acabar com os boatos que corriam entre os negros escravizados do litoral de que o líder quilombola era imortal.

domingo, 21 de março de 2010

SANTA BAKHITA - A ESPERANÇA DO POVO NEGRO






Irmã Josefina Bakhita nasceu no Sudão (África), em 1869 e morreu em Schio (Vicenza-Itália) em 1947.

Flor africana, que conheceu a angústia do rapto e da escravidão, abriu-se admiravelmente à graça junto das Filhas de Santa Madalena de Canossa, na Itália.

A irmã morena

Em Schio, onde viveu por muitos anos, todos ainda a chamam«a nossa Irmã Morena.

O processo para a causa de Canonização iniciou-se doze anos após a sua morte e no dia 1 de dezembro de 1978, a Igreja emanava o Decreto sobre a heroicidade das suas virtudes.

A Providência Divina que «cuida das flores do campo e dos pássaros do céu», guiou esta escrava sudanesa, através de inumeráveis e indizíveis sofrimentos, à liberdade humana e àquela da fé, até a consagração de toda a sua vida a Deus, para o advento do Reino.

Na escravidão

Bakhita não é o nome recebido de seus pais ao nascer. O susto provado no dia em que foi raptada, provocou-lhe alguns profundos lapsos de memória. A terrível experiência a fizera esquecer também o próprio nome.

Bakhita, que significa «afortunada», é o nome que lhe foi imposto por seus raptores.

Vendida e comprada várias vezes nos mercados de El Obeid e de Cartum, conheceu as humilhações, os sofrimentos físicos e morais da escravidão.

Rumo à liberdade

Na capital do Sudão, Bakhita foi, finalmente, comprada por um Cônsul italiano, o senhor Calixto Legnani. Pela primeira vez, desde o dia em que fora raptada, percebeu com agradável surpresa, que ninguém usava o chicote ao lhe dar ordens mas, ao contrário, era tratada com maneiras afáveis e cordiais. Na casa do Cônsul, Bakhita encontrou serenidade, carinho e momentos de alegria, ainda que sempre velados pela saudade de sua própria família, talvez perdida para sempre.

Situações políticas obrigaram o Cônsul a partir para a Itália. Bakhita pediu-lhe que a levasse consigo e foi atendida. Com eles partiu também um amigo do Cônsul, o senhor Augusto Michieli.

Na Itália

Chegados em Gênova, o Sr. Legnani, pressionado pelos pedidos da esposa do Sr. Michieli, concordou que Bakhita fosse morar com eles. Assim ela seguiu a nova família para a residência de Zeniago (Veneza) e, quando nasceu Mimina, a filhinha do casal, Bakhita se tornou para ela babá e amiga.

A compra e a administração de um grande hotel em Suakin, no Mar Vermelho, obrigaram a esposa do Sr. Michieli, dona Maria Turina, a transferir-se para lá, a fim de ajudar o marido no desempenho dos vários trabalhos. Entretanto, a conselho de seu administrador, Iluminado Checchini, a criança e Bakhita foram confiadas às Irmãs Canossianas do Instituto dos Catecúmenos de Veneza. E foi aqui que, a seu pedido, Bakhita, veio a conhecer aquele Deus que desde pequena ela «sentia no coração, sem saber quemEle era».

«Vendo o sol, a lua e as estrelas, dizia comigo mesma: Quem é o Patrão dessas coisas tão bonitas? E sentia uma vontade imensade vê-Lo, conhecê-Lo e prestar-lhe homenagem».

Filha de Deus

Depois de alguns meses de catecumenato, Bakhita recebeu os Sacramentos de Iniciação Cristã e o novo nome de Josefina. Era o dia 9 de janeiro de 1890. Naquele dia não sabia como exprimir a sua alegria. Os seus olhos grandes e expressivos brilhavam revelando uma intensa comoção. Desse dia em diante, era fácil vê-la beijar a pia batismal e dizer: «Aqui me tornei filha de Deus!».

Cada novo dia a tornava sempre mais consciente de como aquele Deus, que agora conhecia e amava, a havia conduzido a Si por caminhos misteriosos, segurando-a pela mão.

Quando dona Maria Turina retornou da África para buscar a filha e Bakhita, esta, com firme decisão e coragem fora do comum, manifestou a sua vontade de permanecer com as Irmãs Canossianas e servir aquele Deus que lhe havia dado tantas provas do seu amor.

A jovem africana, agora maior de idade, gozava de sua liberdade de ação que a lei italiana lhe assegurava.

Filha de Madalena

Bakhita continuou no Catecumenato onde sentiu com muita clareza o chamado para se tornar religiosa e doar-se totalmente ao Senhor, no Instituto de Santa Madalena de Canossa.

A 8 de dezembro de 1896, Josefina Bakhita se consagrava para sempre ao seu Deus, que ela chamava com carinho «el me Paron!».

Por mais de 50 anos, esta humilde Filha da Caridade, verdadeira testemunha do amor de Deus, dedicou-se às diversas ocupações na casa de Schio.

De fato, ela foi cozinheira, responsável do guarda-roupa, bordadeira, sacristã e porteira. Quando se dedicou a este último serviço, as suas mãos pousavam docemente sobre a cabecinha das crianças que, diariamente, freqüentavam as escolas do Instituto. A sua voz amável, que tinha a inflexão das nênias e das cantigas da sua terra, chegava prazerosa aos pequeninos, reconfortante aos pobres e doentes e encorajadoras a todos os que vinham bater à porta do Instituto.

Testemunha do Amor

A sua humildade, a sua simplicidade e o seu constante sorriso, conquistaram o coração de todos os habitantes de Schio. As Irmãs a estimavam pela sua inalterável afabilidade, pela fineza da sua bondade e pelo seu profundo desejo de tornar Jesus conhecido.

«Sede bons, amai a Deus, rezai por aqueles que não O conhecem. Se, soubésseis que grande graça é conhecer a Deus!».

Chegou a velhice, chegou a doença longa e dolorosa, mas a Irmã Bakhita continuou a oferecer o seu testemunho de fé, de bondade e de esperança cristã. A quem a visitava e lhe perguntava como se sentia, respondia sorridente: «Como o Patrão quer».

A última prova

Na agonia reviveu os terríveis anos de sua escravidão e vária vezes suplicava à enfermeira que a assistia: «Solta-me as correntes ... pesam muito!».

Foi Maria Santíssima que a livrou de todos os sofrimentos. Assuas últimas palavras foram: «Nossa Senhora! Nossa Senhora!», enquanto o seu último sorriso testemunhava o encontro com a Mãe de Jesus.

Irmã Bakhita faleceu no dia 8 de fevereiro de 1947, na Casa de Schio, rodeada pela comunidade em pranto e em oração. Uma multidão acorreu logo à casa do Instituto para ver pela última vez a sua «Santa Irmã Morena», e pedir-lhe a sua proteção lá do céu. Muitas são as graças alcançadas por sua intercessão.

sexta-feira, 19 de março de 2010

HAITI





O DIA EM QUE TERRA PAROU E O HAITI TREMEU.

Um forte terremoto de magnitude 7 devastou o Haiti às 16h53 do dia 12 de janeiro, hora local -19h53 de Brasília. O epicentro foi a poucos quilômetros da capital, Porto Príncipe.
A situação humanitária do país, o mais pobre das Américas, é caótica. Pelo menos 200 mil pessoas morreram, 300 mil ficaram feridas, 4 mil foram amputadas. Há um milhão de desabrigados. Até agora, foram confirmadas as mortes de pelo menos 21 brasileiros -18 deles militares das forças de paz da ONU, além do diplomata Luiz Carlos da Costa, segundo homem da missão, da médica e fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns, e de uma mulher com dupla nacionalidade, cuja identidade não foi divulgada a pedido da família.
apital destruída
A capital, Porto Príncipe, teve vários prédios destruídos.
Cadáveres foram enterrados em valas comuns ou pelas próprias famílias. Comida, água e medicamentos escasseiam.
Há o temor de que a situação de segurança fuja de controle, com a falta de água e comida estimulando saques. Também já há relato da ação de gangues armadas e de saqueadores. Haitianos desesperados brigam por comida ou tentam deixar o país.
Vários países, liderados pelos EUA, já realizam as operações de ajuda ao país, com envio de pessoal, equipamentos, alimento e dinheiro.

O homem de 28 anos foi encontrado nos destroços de um mercado onde vendia arroz, disse a família dele a uma equipe médica do hospital de campo da Universidade de Miami, segundo a CNN. Muito magro, ele sofre com uma grave desidratação e desnutrição, mas segundo um correspondente da emissora, aparentemente não apresenta ferimentos graves.O sobrevivente teria relatado aos médicos que alguém estava lhe levando água enquanto estava soterrado, mas a equipe também informou que ele parecia confuso, conforme a CNN.

Naomi Campbell e Lotus arrecadam 1,4 milhão de euros para vítimas do Haiti.

Lotus divulgou que arrecadou 1,4 milhão de euros ( equivalente a R$ 3,37 milhões) com o leilão de oito exemplares exclusivos do Evora. A venda da edição limitada “Naomi for Haiti”, desenvolvida pelo designer Donato Coco em parceria com a modelo britânica, será revertida para a White Ribbon Aliance, umas das entidades que está trabalhando na reconstrução do Haiti. “Foi um grande prazer para a Lotus trabalhar com a Naomi e com a White Ribon Alliance nesta grande causa, estamos muito satisfeitos que esta parceria e que a generosidade dos nossos clientes tenha permitido angariar uma quantia tão significante para um povo que atravessa um período tão difícil”, afirmou Dany Bahar, CEO da fabricante britânica.

quinta-feira, 18 de março de 2010

MÃE ÁFRICA - QUÊNIA


















Quênia - Kenya - Nossas raízes também são de lá.




O Quénia (português europeu) ou Quênia (português brasileiro) (em suaíli e inglês Kenya) é um país da África Oriental, limitado a norte pelo Sudão e pela Etiópia, a leste pela Somália e pelo oceano Índico, a sul pela Tanzânia e a oeste pelo Uganda. Ganhou seu nome do Monte Quênia (nevado), seu ponto geográfico mais elevado. A capital é Nairobi. Na Conferência de Berlim de 1885, onde se delimitaram as áreas de influência das potências européias, o Quênia foi entregue ao Reino Unido, que o confiou em regime de monopólio à Companhia Imperial da África Oriental Britânica. Em 1887 a companhia comercial assegurou o arrendamento da faixa costeira, cedida pelo sultão de Zanzibar.

Nas duas décadas que precederam a Segunda Guerra Mundial, os europeus monopolizaram as melhores terras cultiváveis, e teve início um confronto político entre britânicos e indianos, que se consideravam insuficientemente representados nos órgãos de governo da colônia. A Associação Central dos Kikuyu, fundada em 1921, também passou a exigir sua participação no poder. Em 1944, foi formada uma organização nacionalista, a União Africana do Quênia (KAU), que pregava a redistribuição da terra e tinha como líder Jomo Kenyatta. Em 1952, uma sociedade secreta kikuiu, ou Mau Mau, levantou-se contra o domínio colonial na denominada revolta dos Mau-Mau, que deu origem a uma longa guerra, que se prolongou até 1960. A KAU foi proscrita e Kenyatta, líder da rebelião, preso. A eleição de 1961 levou os dois partidos africanos, a União Nacional Africana do Quênia (KANU) e a União Democrática Africana do Quênia, a aliarem-se no governo.

Em dezembro de 1963, o Quênia tornou-se Estado independente, membro da Commonwealth, e constituiu-se em república no ano seguinte, sob a presidência do carismático Kenyatta (KANU), o qual foi reeleito em 1969 e 1974.
A política do Quénia foi caracterizada, desde a independência, em 1963 por um regime presidencialista altamente centralizado, apesar da Constituição democrática multipartidária ser nominalmente respeitada. Na realidade, a KANU (sigla do nome em língua inglesa da União Nacional Africana do Quénia) foi o partido maioritário e, em 1982, a Assembleia Nacional emendou a Constituição, tornando o país monopartidário. Este estado de coisas durou até 1991, quando a Assembleia revogou aquela disposição, mas nas eleições de 1992 e 1997, o presidente Daniel Arap Moi e a KANU mantiveram, respectivamente as posições presidencial e de maioria no Parlamento.

Em 2002, Mwai Kibaki tornou-se no primeiro candidato presidencial da oposição a vencer uma eleição no país desde a independência. A sua coligação manteve-se coesa graças às promessas de reformas constitucionais e às garantias de Kibaki de que iria nomear representantes de todos os grupos étnicos principais do Quénia para lugares importantes. A sua negligência em cumprir estas promessas depois das eleições causaram vários focos de tensão.
Nairobi, capital do país.

O Movimento Laranja, ou Orange Democratic Movement Party of Kenya, liderado por Raila Odinga, concorreu às eleições de Dezembro de 2007, tendo ganho a maior bancada do Parlamento, mas não vendo o seu lugar na presidência confirmado pelas autoridades do escrutínio. Apesar das eleições terem sido consideradas fraudulentas por muitos observadores e os resultados mostrarem uma divisão étnica do voto, Kibaki negou as alegações de fraude e, a 8 de Janeiro de 2008, nomeou o seu novo gabinete. Odinga, convocou manifestações que lavaram a um banho de sangue, com mais de 1000 mortos e 250 mil deslocados.

Depois duma longa campanha de mediação presidida pelo antigo Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan (na qual também participou Graça Machel) e duma visita-relâmpago do actual, Ban Ki-Moon, Kibaki e Odinga concordaram em assinar, a 28 de Fevereiro de 2008, um acordo denominado “National Accord and Reconciliation Act” ("Acordo sobre a Nação e a Reconciliação"), que inclui a formação dum governo de coligação e a nomeação de Odinga como Primeiro-Ministro, com poderes executivos. Com as respectivas emendas na Constituição, o Quénia poderá assim tornar-se em mais uma democracia parlamentar. O Quénia está situado na África oriental,tendo fronteiras a leste com a Somália, a norte com a Etiópia e o Sudão, a oeste com o Uganda, a sudoeste com a Tanzania e a sueste é banhado pelo Oceano Índico.

A parte ocidental faz parte do sistema de depressões do Vale do Rift, que deu origem aos grandes lagos africanos, e essa zona do país é banhada por dois dos maiores: o lago Vitória e o lago Turkana. As falhas do rift são rodeadas por montanhas, algumas das quais de origem vulcânica, que atingem o ponto mais alto no centro do país, no Monte Quénia, com 5199 m. A leste e a sul, o relevo suaviza-se, em especial junto à fronteira da Somália, onde se estende uma extensão significativa de planície. Os principais produtos agrícolas quenianos são chá, café, milho, trigo, laranja, banana, abacaxi, abacate, girassol, soja, sisal, algodão, coco, cana de açúcar, batata, tomate, cebola, arroz, feijão, mandioca e caju. A pecuária tem como predominante à cultura de bovinos, suínos e caprinos, além de piscicultura e avicultura (incluindo galinhas, perus, patos, gansos e pavões).

Os minerais extraídos são a pedra calcária, trona (carbonato de sódio), ouro, sal e flúor. A indústria queniana produz plásticos, refino de petróleo, artefatos de madeira, tecidos, cigarros, couro, cimento, metalurgia e comida enlatada.

O turismo também rende bons lucros, principalmente em na costa(litoral) e na savana queniana. A exportação é forte em chá e café, enquanto que as importações incluem maquinaria, alimentos, equipamentos de transporte e petróleo (e seus derivados).

quarta-feira, 17 de março de 2010

DELICIAS DA MINHA TERRA






Acarajé comida dos Deuses.

A culinária da Bahia mais conhecida (embora não a mais consumida) é aquela produzida no Recôncavo e em todo o litoral da Bahia — praticamente composta de pratos de origem africana, diferenciados pelo tempero mais forte à base de azeite de dendê, leite de coco, gengibre, pimenta de várias qualidades e muitos outros que não são utilizados nos demais estados do Brasil. Essa culinária, porém, não chega a representar 30% do que seus habitantes consomem diariamente. As iguarias dessa vertente africana da culinária estão reservadas, pela tradição e hábitos locais, às sextas-feiras e às comemorações de datas institucionais, religiosas ou familiares. No dia a dia, o baiano alimenta-se dos pratos herdados da vertente portuguesa, englobados no que se costuma chamar de "culinária sertaneja". São receitas que não levam o dendê e demais ingredientes típicos de origem africana, como ensopados, guisados e várias iguarias encontradas também nos outros estados, embora com toques evidentemente regionais (a utilização mais ou menos acentuada de determinados temperos numa dada receita, por exemplo). A predominância, no imaginário do brasileiro e nos meios de comunicação, da culinária "afro-baiana", deve-se muito ao fato de Salvador, a capital da Bahia, situar-se no litoral do Recôncavo, o que confere maior poder de divulgação para o saboroso legado africano da culinária regional.

Ambas vertentes da culinária baiana, no entanto, ainda são praticadas de forma bastante espontâneas, carecendo de procedimentos mais sistemáticos de pesquisa e desenvolvimento. Há muita resistência a tentativas de estudos e aprimoramentos da comida legada por portugueses e africanos. Existem poucos chefs de cozinha dedicados à culinária da Bahia. Procedimentos mais coerentes com a moderna cozinha, contudo, já começam a aparecer, de forma esparsa, através de cozinheiros e cozinheiras mais informados das modernas técnicas gastronômicas, apontando perspectivas mais dinâmicas para a cozinha baiana. A primeira consequência dessas poucas iniciativas é o aparecimento de novas receitas, mais elaboradas, ainda mantendo fortes ligações com as matrizes portuguesa e africana mas incorporando também bases da culinária de outros países, principalmente aqueles banhados pelo Mediterrâneo.

Na Bahia existem duas maneiras de se preparar os pratos "afros". Uma mais simples, sem muito tempero, que é feita nos terreiros de candomblé para serem oferecidos aos Orixás, e a outra, fora dos terreiros, onde as comidas são preparadas e vendidas pela baiana do acarajé e nos restaurantes, e nas residências, que são mais carregadas no tempero e mais saborosas.

Diz Afrânio Peixoto, historiógrafo, em seu livro "Breviário da Bahia", que " a Bahia é um feliz consórcio do melhor de Portugal - a sobremesa e a preferência pelos pescados, e da Costa da África - o óleo de dendê, com outros temperos e condimentos, e pimenta, muita pimenta benzendo tudo. (…) Pouca coisa do índio, que não tinha quase cozinha."

Acarajé é uma especialidade gastronómica da culinária afro-brasileira feita de massa de feijão-fradinho, cebola e sal, frita em azeite-de-dendê. O acarajé pode ser servido com pimenta, camarão seco, vatapá, caruru ou salada, quase todos componentes e pratos típicos da cozinha da Bahia.

Acarajé, comida ritual da orixá Iansã. Na África, é chamado de àkàrà que significa bola de fogo, enquanto je possui o significado de comer. No Brasil foram reunidas as duas palavras numa só, acara-je, ou seja, “comer bola de fogo”. Devido ao modo de preparo, o prato recebeu esse nome.

O acarajé, o principal atrativo no tabuleiro, é um bolinho característico do candomblé. Sua origem é explicada por um mito sobre a relação de Xangô com suas esposas,Oxum e Iansã. O bolinho se tornou, assim, uma oferenda a esses orixás. Mesmo ao ser vendido num contexto profano, o acarajé ainda é considerado, pelas baianas, como uma comida sagrada. Por isso, a sua receita, embora não seja secreta, não pode ser modificada e deve ser preparada apenas pelos filhos-de-santo.

O acarajé é feito com feijão fradinho, que deve ser quebrado em um moinho em pedaços grandes e colocado de molho na água para soltar a casca. Após retirar toda a casca, passar novamente no moinho, desta vez deverá ficar uma massa bem fina. A essa massa acrescenta-se cebola ralada e um pouco de sal.

O segredo para o acarajé ficar macio é o tempo que se bate a massa. Quando a massa está no ponto, fica com a aparência de espuma. Para fritar, use uma panela funda com bastante azeite-de-dendê ou azeite doce.

Normalmente usam-se duas colheres para fritar, uma colher para pegar a massa e uma colher de pau para moldar os bolinhos. O azeite deve estar bem quente antes de colocar o primeiro acarajé para fritar.

Esse primeiro acarajé sempre é oferecido a Exu pela primazia que tem no candomblé. Os seguintes são fritos normalmente e ofertados aos orixás para os quais estão sendo feitos.

O acará Oferecido ao orixá Iansã diante do seu Igba orixá é feito num tamanho de um prato de sobremesa na forma arredondada e ornado com nove ou sete camarões defumados, confirmando sua ligação com os odu odi e ossá no jogo do merindilogun, cercado de nove pequenos acarás, simbolizando "mensan orum" nove Planetas. (Orum-Aye, José Benistes).

O acará de xango tem uma forma Ovalar imitando o cágado que é seu animal preferido e cercado com seis ou doze pequenos acarás de igual formato, confirmando sua ligação com os oduObará e êjilaxeborá.

terça-feira, 16 de março de 2010

O Sincretismo Religioso.















No Brasil, o sincretismo é um fenômeno bastante comum, mas é especialmente relevante na Bahia, onde buscou-se adaptar nas crenças de religiões tradicionais africanas os rituais da fé Católica, religião predominante no Brasil. Segundo José Beniste, "valeu como poderosa arma para os negros manterem suas tradições. Sem isso, provavelmente, nem mesmo teriam podido manter os traços religiosos que ainda hoje se conservam". Reginaldo Prandi, 2002, escreve: “Para se viver no Brasil, mesmo sendo escravo, e principalmente depois, sendo negro livre, era indispensável, antes de mais nada, ser católico. Por isso, os negros no Brasil que cultuavam as religiões africanas dos orixás, voduns e inquices se diziam católicos e se comportavam como tais. Além dos rituais de seus ancestrais, freqüentavam também os ritos católicos. Continuaram sendo e se dizendo católicos, mesmo com o advento da República, quando o catolicismo perdeu a condição de religião oficial.” Há antropólogos que insistem que a assimilação Santo/Orixá era aparente e, inicialmente, serviu para encobrir a verdadeira devoção aos Orixás, pois no caso dos cânticos, eram efetuados em língua natural dos escravos e que ninguém entendia. Um fato histórico que pode opor-se a este pensamento é a criação das confrarias de negros (p.ex., a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, na Bahia) totalmente composta por negros. Os negros haviam realmente se convertido ao Cristianismo e não eram apenas uma fachada. No Sermão XIV, pregado aos pretos de uma Irmandade do Rosário, em 1633, o padre Antônio Vieira faz um lamento em favor da escravidão: “Oh, se a gente preta tirada das brenhas da sua Etiópia, e passada ao Brasil, conhecera bem quanto deve a Deus, e a sua Santíssima Mãe por este que pode parecer desterro, cativeiro e desgraça, e não é senão milagre, e grande milagre!” (Vieira, 1954: 26-27).

Durante o processo de colonização do Brasil, notamos que a utilização dos africanos como mão de obra escrava estabeleceu um amplo leque de novidades em nosso cenário religioso. Ao chegarem aqui, os escravos de várias regiões da África traziam consigo várias crenças que se modificaram no espaço colonial. De forma geral, o contato entre nações africanas diferentes empreendeu a troca e a difusão de um grande número de divindades. Mediante essa situação, a Igreja Católica se colocava em um delicado dilema ao representar a religião oficial do espaço colonial. Em algumas situações, os clérigos tentavam reprimir as manifestações religiosas dos escravos e lhes impor o paradigma cristão. Em outras situações, preferiam fazer vista grossa aos cantos, batuques, danças e rezas ocorridas nas senzalas. Diversas vezes, os negros organizavam propositalmente suas manifestações em dias santos ou durante outras festividades católicas. Do ponto de vista dos representantes da elite colonial, a liberação das crenças religiosas africanas era interpretada positivamente. Ao manterem suas tradições religiosas, muitas nações africanas alimentavam as antigas rivalidades contra outros grupos de negros atingidos pela escravidão. Com a preservação desta hostilidade, a organização de fugas e levantes nas fazendas poderia diminuir sensivelmente. Aparentemente, a participação dos negros nas manifestações de origem católica poderia representar a conversão religiosa dessas populações e a perda de sua identidade. Contudo, muitos escravos, mesmo se reconhecendo como cristãos, não abandonaram a fé nos orixás, voduns e inquices oriundos de sua terra natal. Ao longo do tempo, a coexistência das crendices abriu campo para que novas experiências religiosas – dotadas de elementos africanos, cristãos e indígenas – fossem estruturadas no Brasil. É a partir dessa situação que podemos compreender porque vários santos católicos equivalem a determinadas divindades de origem africana. Além disso, podemos compreender como vários dos deuses africanos percorrem religiões distintas. Na atualidade, não é muito difícil conhecer alguém que professe uma determinada religião, mas que se simpatize ou também frequente outras. Dessa forma, observamos que o desenvolvimento da cultura religiosa brasileira foi evidentemente marcado por uma série de negociações, trocas e incorporações. Nesse sentido, ao mesmo tempo em que podemos ver a presença de equivalências e proximidades entre os cultos africanos e as outras religiões estabelecidas no Brasil, também temos uma série de particularidades que definem várias diferenças. Por fim, o sincretismo religioso acabou articulando uma experiência cultural própria. Não cabe dizer que o contato entre elas acabou designando um processo de aviltamento de religiões que aqui apareceram. Tanto do ponto de vista religioso, quanto em outros aspectos da nossa vida cotidiana, é possível observar que o diálogo entre os saberes abre espaço para diversas inovações. Por esta razão, é impossível acreditar que qualquer religião teria sido injustamente aviltada ou corrompida.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Maria Bethânia - a Diva do Brasil

Maria Bethânia Viana Telles Velloso, mais conhecida como Maria Bethânia, é uma cantora brasileira que tem a marca de ser a segunda artista feminina em vendagem de discos do Brasil, sendo a maior da MPB com 26 milhões de cópias. Atende pela alcunha de Abelha-rainha por causa do primeiro verso da música que dá nome ao LP Mel de 1979. Considerada por muitos brasileiros uma das maiores cantoras da história do Brasil. É irmã caçula do compositor Caetano Veloso e da poetisa e escritora Mabel Velloso.

Nascida na Bahia, é a sexta filha de José Teles Veloso (Seu Zezinho), funcionário público dos Correios, e de Claudionor Viana (Dona Canô). É irmã da escritora Mabel Velloso e do compositor Caetano Veloso, e tia da cantora Belô Velloso e de Jota Velloso. Seu nome foi escolhido pelo irmão Caetano Veloso, inspirado em uma canção famosa à época, a valsa Maria Betânia, do compositor Capiba, um sucesso na voz de Nélson Gonçalves. Maria Bethânia tornou-se uma das principais intérpretes da música brasileira assim como Caetano, um dos maiores cantores e compositores contemporâneos brasileiros, mundialmente conhecido. Bethânia foi criada na cidade de Santo Amaro da Purificação e, por ter sido criada na religião católica com influência do candomblé, é devota de vários santos e adepta tradicional do segmento religioso africano Ketu.

Hoje considerada uma das maiores intérpretes de sua geração, na infância sonhava em ser atriz, mas o dom para a música falou mais alto. Participou na juventude de espetáculos semi-amadores em parceria com Tom Zé, Gal Costa, Caetano Veloso e Gilberto Gil; em 1960 mudou-se para Salvador na intenção de terminar os estudos e passou a frequentar o meio artístico, ao lado do irmão Caetano. Em 1963, estreou como cantora na peça Boca de Ouro, de Nelson Rodrigues. No ano seguinte, apresentou espetáculos como Nós por Exemplo, Mora na Filosofia e Nova Bossa Velha, Velha Bossa Nova, ao lado do irmão Caetano Veloso e o colega Gilberto Gil, então iniciantes, a quem lançou como compositores e cantores nacionais e a cantora Gal Costa, dentre outros.

A data oficial da estreia profissional é 13 de fevereiro de 1965, quando substituiu a cantora e violonista Nara Leão no espetáculo Opinião pois a mesma precisou se afastar por problemas de saúde. Nesse mesmo ano, foi contratada pela gravadora RCA, que posteriormente transformou-se em BMG (atualmente Sony BMG), onde gravou o primeiro disco, lançado em junho daquele mesmo ano. O primeiro sucesso foi a canção de protesto Carcará, no repertório deste, que também incluía, dentre outras, as músicas Mora na filosofia, Andaluzia, Feitio de oração e Sol negro, esta última em dueto com Gal Costa (que à época ainda usava o nome artístico de Maria da Graça). Depois lançou um compacto triplo, Maria Bethânia canta Noel Rosa, que trouxe as músicas Três apitos, Pra que mentir, Pierrô apaixonado, Meu barracão, Último desejo e Silêncio de um minuto, acompanhada apenas por um violão, de Carlos Castilho. Ainda em 1966, depois de voltar à Bahia por um breve período, participou dos espetáculos Arena canta Bahia e Tempo de guerra, ambos dirigidos por Augusto Boal, também competindo em festivais. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, apresentou-se em teatros e casas noturnas de espetáculos, tornando-se assim nacionalmente conhecida.

Maria Bethânia é segunda artista feminina em vendagem de discos na história do Brasil, atrás apenas de Xuxa, que tem seus discos voltados ao público infanto-juvenil.

Revolucionou a forma de se fazer espetáculos no Brasil, intercalando músicas com poemas - Fernando Pessoa, poeta português, Vinícius de Moraes a quem chegou a dedicar um disco inteiro em 2005, Que falta você me faz (a gravação deste álbum foi concluída em janeiro de 2004 mas somente lançado no ano seguinte, em comemoração aos 40 anos de carreira e amizade com Vinícius, contando com a participação especial deste na declamação do poema Poética I e na música Nature boy (Encantado)), Clarice Lispector - criando um estilo próprio e que muito lembra peças teatrais. Vários dos espetáculos estão entre os mais importantes da história da música popular brasileira, onde se destacam diversos, como Recital na Boite Barroco (1968), o primeiro disco gravado ao vivo, Maria Bethânia ao vivo (1970), ambos lançados pela gravadora EMI, Rosa dos Ventos - o show encantado (1971) produzido e dirigido por Fauzi Arap, Drama terceiro ato - luz da noite gravado ao vivo no Teatro da Praia na capital fluminense (1973), A cena muda (1974), gravado ao vivo no Teatro Casa Grande, onde não declamou poemas - como o próprio título sugere, tendo sido um dos espetáculos mais ousados da trajetória da artista, Chico Buarque e Maria Bethânia ao vivo (1975), Maria Bethânia e Caetano Veloso ao vivo (1978), e Nossos momentos (1982), gravado entre 29 de setembro e 3 de outubro daquele ano, contendo a antológica interpretação de Vida e O que é o que é, esta última lançada pelo autor Gonzaguinha no mesmo ano, que seria o bis preferido dos espetáculos dali por diante. Isso explica a presença de vários discos ao vivo na carreira da artista - mais especificamente catorze, onde se inclui um gravado na Argentina (Mar del Plata), com Vinícius de Moraes e Toquinho; já como intérprete, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Jobim, Noel Rosa, Gonzaguinha, Roberto Carlos, Vinícius de Moraes, Roberto Mendes, Jorge Portugal e Milton Nascimento, são os compositores com maior número de interpretações na voz. Maria Bethânia é carinhosamente chamada por Roberto Carlos de minha rainha.



Consciência Negra: Vista a minha pele

Eu sei que muitos vão dizer que falar de cotas e consciência negra é pregar um racismo ás avessas... Dizer que isso é coisa de quem não tem mais o que dizer nem o que escrever. Provavelmente dirão que isso é coisa de gente que se sente inferior e quer se exaltar... Coisa de negro... Alguns se sentem ofendidos com tanta exaltação. Até feriado os negros têm! Quem raios é esse tal de Zumbi? E como se não bastasse tem lei que determina o ensino da história da África, estatuto de Igualdade Racial, leis e estudos que defendem a titularidade de terras, que criminaliza a intolerância religiosa... Provavelmente dirão que consciência negra é balela porque estão convictos que é ficção alguém ser discriminado pela cor... Certamente quem pensa assim nunca foi humilhado, desrespeitado, ofendido por simplesmente não ter a pele clara. Nunca viu ninguém mudar de calçada porque se aproxima, nunca foi mal atendido num restaurante, num bar, numa loja, numa repartição pública. Quem se ofende, provavelmente não precisou explicar para ninguém que não era a babá ou o motorista dos próprios filhos, não precisou mostrar o documento do veículo e o RG para provar que era seu, não apanhou confundido com o ladrão do próprio carro e nunca foi desrespeitado por cultuar seus ancestrais. Provavelmente também nunca recebeu olhar de incredulidade quando apresentado por seu ofício ou seu título, não teve o desprazer de lhe ser indicado o elevador de serviço nem ouvir quando atende a porta de sua própria casa: “seu patrão ou sua patroa tá aí”? E essas são só algumas histórias que ouvi de gente querida e maravilhosa cujo “defeito” é não ter nascido de pele clara. Sei de tantas....já vi tanta maldade em forma de preconceito...Mas, da minha vivencia sei que negritude, consciência está para além da cor da pele... Sei que sou a somatória de tudo isso e, portanto, tenho muito respeito por tudo que se relaciona com o resgate da dignidade a quem um dia foi negado o direito da escolha do ir e vir.
E para os que questionam, ironizam ou fazem piada com o feriado do 20 de novembro: este país deve a muitos povos, em especial, ao povo negro, a formação da sua riqueza e da sua cultura.Se, do ponto de vista biológico reconhecemos que A RAÇA É HUMANA, reconhecer, historicamente, a dívida com os negros na história desse país é ter mais que consciência.É fazer justiça. E que dia Nacional da Consciência Negra colabore para que todos e todas reflitam aonde guardam seu preconceito.*Vista a Minha Pele2003, 15 min.“Vista a Minha Pele” é uma divertida paródia da realidade brasileira. Serve de material básico para discussão sobre racismo e preconceito em sala-de-aula.Nesta história invertida, os negros são a classe dominante e os brancos foram escravizados. Os países pobres são Alemanha e Inglaterra, enquanto os países ricos são, por exemplo, África do Sul e Moçambique. Maria é uma menina branca, pobre, que estuda num colégio particular graças à bolsa-de-estudo que tem pelo fato de sua mãe ser faxineira nesta escola. A maioria de seus colegas a hostilizam, por sua cor e por sua condição social, com exceção de sua amiga Luana, filha de um diplomata que, por ter morado em países pobres, possui uma visão mais abrangente da realidade.Maria quer ser “Miss Festa Junina” da escola, mas isso requer um esforço enorme, que vai desde a superação do padrão de beleza imposto pela mídia, onde só o negro é valorizado, à resistência de seus pais, à aversão dos colegas e à dificuldade em vender os bilhetes para seus conhecidos, em sua maioria muito pobres. Maria tem em Luana uma forte aliada e as duas vão se envolver numa série de aventuras para alcançar seus objetivos. O centro da história não é o concurso, mas a disposição de Maria em enfrentar essa situação. Ao final ela descobre que, quanto mais confia em si mesma, mais capacidade terá de convencer outros de sua chance de vencer.Indicações de uso:O vídeo pode ser usado na discussão sobre discriminação no Brasil. É um instrumento atraente, com linguagem ágil e atores conhecidos do público alvo - adolescentes na faixa de 12 a 16 anos. Vem acompanhado de uma apostila de orientação ao professor para sua utilização em sala de aula, elaborada por educadores e psicólogos comprometidos com as questões de gênero e raça.

Evento debate preconceito contra religiões africanas


Aconteceu um encontro em Salvador que descutiu a intolerância religiosa contra praticantes de religiões africanas. Os participantes pedem o fim do preconceito.

As cerimônias nos terreiros são abertas e costumam atrair até turistas estrangeiros. As festas de santos e orixás também levam uma multidão às ruas de Salvador.

Apesar da fila grande para receber os banhos de água-de-cheiro e pipoca, poucas pessoas se declaram praticantes de candomblé. São 22 mil baianos, número que equivale a menos de 1% da população. Em todo o Brasil, são 525 mil pessoas, cerca de 0,3% da população, segundo dados do IBGE.

O número poderia ser maior se não fosse o medo da discriminação. Foi com essa preocupação que religiosos da Bahia e de outros estados se reuniram em Salvador. O evento tem o apoio de estudiosos e de membros de órgãos que representam o interesse dos negros.

Os participantes reivindicam o reconhecimento legal dos terreiros, a garantia do ensino da cultura negra nas escolas e o direito de usar roupas e adereços da religião sem constrangimento.

Poucas pessoas se declaram praticantes de candomblé. Número poderia ser maior se não fosse o medo da discriminação.

domingo, 14 de março de 2010

Ibejì

Ibejì ou Ìgbejì - é divindade gêmea da vida, protetor dos gêmeos (twins) na Mitologia Yoruba, identificado no jogo do merindilogun pelos odu ejioko e iká.

Dá-se o nome de Taiwo ao Primeiro gêmeo gerado e o de Kehinde ao último. Os Yorùbá acreditam que era Kehinde quem mandava Taiwo supervisionar o mundo, donde a hipótese de ser aquele o irmão mais velho.

Cada gêmeo é representado por uma imagem. Os Yorùbá colocam alimentos sobre suas imagens para invocar a benevolência de Ìbejì. Os pais de gêmeos costumam fazer sacrifícios a cada oito dias em sua honra.

O animal tradicionalmente associado a Ìbejì é o macaco colobo, um cercopiteco endêmico nas florestas da África subsariana. A espécie em questão é o colobus polykomos, ou "colobo real", que é acompanhado de uma grande mística entre os povos africanos. Eles possuem coloração preta, com detalhes brancos, e pelas manhãs eles ficam acordados em silêncio no alto das árvores, como se estivessem em oração ou contemplação, daí eles serem considerados por vários povos como mensageiros dos deuses, ou tendo a habilidade de escutar os deuses. A mãe colobo quando vai parir, afasta-se do bando e volta apenas no dia seguinte das profundezas da floresta trazendo seu filhote (que nasce totalmente branco) nas costas. O colobo é chamado em Yorùbá de edun oròòkun, e seus filhotes são considerados a reencarnação dos gêmeos que morrem, cujos espíritos são encontrados vagando na floresta e resgatado pelas mães colobos pelo seu comportamento peculiar.

Na África , as crianças representam a certeza da continuidade, por isso os pais consideram seus filhos sua maior riqueza.

A palavra Igbeji que dizer gêmeos. Forma-se a partir de duas entidades distintas que coo-existem, respeitando o princípio básico da dualidade.

Contam os Itãs (conjunto de lendas e histórias passados de geração a geração pelos povos africanos), que os Igbejis são filhos paridos por Iansã, mas abandonados por ela, que os jogou nas águas. Foram abraçados e criados por Oxum como se fossem seus próprios filhos. Doravante, os Igbejis passam a ser saudados em rituais específicos de Oxum e, nos grandes sacrifícios dedicados à deusa , também recebem oferendas.

Entre as divindades africanas, Igbeji é o que indica a contradição, os opostos que caminham juntos, a dualidade. Igbeji mostra que todas as coisas, em todas as circunstâncias, têm dois lados e que a justiça só pode ser feita se as duas medidas forem pesadas, se os dois lados forem ouvidos.

Na África, O Igbeji é indispensável em todos os cultos. Merece o mesmo respeito dispensado a qualquer Orixá, sendo cultuado no dia-a-dia. Igbeji não exige grandes coisas, seus pedidos são sempre modestos; o que espera como, todos os Orixás, é ser lembrado e cultuado. O poder de Igbeji jamais podem ser negligenciado, pois o que um orixá faz Igbeji pode desfazer, mas o que um Igbeji faz nenhum outro orixá desfaz. E mais: eles se consideram os donos da verdade.

Os gêmeos (Ibeji entre os Yorubas e Hoho entre os Fon) são objeto de culto. Não são nem Orixá e nem Vodun, mas o lado extraordinário desses duplos nascimentos é uma prova viva do princípio da dualidade e confirma que existe neles uma parcela do sobrenatural, a qual recai em parte na criança que vem ao mundo depois deles.

Recomenda-se tratar os gêmeos de maneira sempre igual, compartilhando com muita equidade entre os dois tudo o que lhes for oferecido. Quando um deles morre com pouca idade o costume exige que uma estatueta representando o defunto seja esculpida e que a mãe a carregue sempre. Mais tarde o gêmeo sobrevivente ao chegar à idade adulta cuidará sempre de oferecer à efígie do irmão uma parte daquilo que ele come e bebe. Os gêmeos são, para os pais uma garantia de sorte e de fortuna.

Os Discípulos de Emaús - "Os grandes amigos"


Dois discípulos seguiam com destino a Emaús. Na caminhada falavam; Sobre a morte de Jesus.
Sobre os Filho de Deus Pai que naquela cruz morreu. Eles não se conformavam com o que aconteceu.
Eles iam caminhando e conversando sem parar. Nem perceberam o andarilho que a eles foi se ajuntar. Sobre o que eles conversavam, o andarilho perguntou.
— Então não estás sabendo?
— Cléofas o indagou.
— Contem-me o ocorrido. Também desejo saber tudo o que aconteceu. Alguém pode me dizer?
— És o único na terra que diz não saber de nada; que mataram o Nazareno na Sexta ferira passada. Ele que foi um profeta poderoso, em palavras e ação; A esperança de Israel para a sua salvação. Nosso sumo sacerdote sem piedade o entregou pra ser condenado à morte na cruz, que ele próprio carregou. Depois que Jesus morreu seu corpo foi sepultado. Mas disseram que o sepulcro vazio foi encontrado! Cadê o corpo de Jesus?
— As mulheres perguntaram
— Foi quando os anjos de branco
A elas então falaram: Jesus Cristo, o Nazareno, que aqui foi sepultado. Como dizem as Escrituras,
Ele foi ressuscitado. Seu corpo irá para o céu pra ficar junto de Deus. Não procurem entre os mortos aquele que não morreu. O andarilho ouviu pra depois então falar:
— O que os profetas falaram vocês devem acreditar. Para entrar na sua glória foi que o Messias sofreu.
Os profetas profetizaram tudo o que aconteceu. As passagens da Escritura que sobre Jesus falavam aquele pobre andarilho para os dois homens contava. Quando perto do povoado aqueles homens chegaram, o andarilho foi andando... Quando eles o convidaram: — Fica conosco, amigo,
Já é tarde e a noite vem. Andar por aí sozinho é coisa que não convém! Já que eles insistiram, o amigo entrou pra ficar. sentou-se à mesa com eles para se alimentar. Abençoou o pão e ao parti-lo,
— Como num raio de luz
— Os olhos deles se abriram e viram que era Jesus. Jesus tomando o pão com eles o repartiu.
Na frente dos olhos deles o Senhor Jesus sumiu. Naquele instante, os dois homens da mesa se levantaram. Pra contar aos seus amigos, à Jerusalém voltaram. E quando lá chegaram Cléofas tudo contou. E todos juntos aclamaram: Jesus, nosso Rei, ressuscitou!

O Big Brother: a invasão e evasão de privacidade na TV


A chamada tv aberta vem investindo pesado no olhar gozozo do telespectador. Para garantir uma grande audiência - ou a sua sobrevivência - esse tipo de tv não demanda um telespectador que vive guiado pelo efeito zapping, é preciso que ele entregue totalmente o seu olhar a telinha, como que tivesse hipnotizado, onde o tempo parece não passar.

Na falta de algo melhor para se ver, simplesmente pode-se deixar o aparelho ligado de um programa para outro. Deixa estar. Marina Colassanti certa vez escreveu um texto "eu sei que não devia, mas..." . Eu sei que não devia deixar meus filhos assistirem tanto Pokemon, eu sei que não devia assistir tanato tempo tv, mas... a televisão nos relaxa, nos faz entrar em tantos lugares do mundo, nos oferece uma fantasia pronta, mágica, fantástica... como um sonho bom.

Parece ser muito simplista aquela posição que coloca a culpa de tamanha audiência de certos programas televisivos (também de certas igrejas) na baixa educação do povo. É preciso analisar a aeticidade do espírito capitalista selvagem que comanda a mídia nacional como também entender porquê faz sucesso no ser humano: sexo, violência e bisbilhotagem da vida alheia. Há ainda que convocar os intelectuais que sempre procuraram manter distância da tv, a ir para além de analisar a fundo esse potente veículo da indústria cultural. Lembro-me de nos anos 70, época mais pesada da ditadura militar quando colegas de esquerda proibiam seus filhos de assistirem televisão, porque quem dominava era a Globo e os enlatados norte-americanos. Os intelectuais de hoje já admitem assistirem tv (principalmente tendem a assistir tv por assinatura, se bem que há ainda alguns que enchem a boca e dizem que não assistem tv, confundindo assim o veículo com a programação, ou seja, uma "coisa" ruim, do mal ou diabólica).

Ainda é mal visto no meio acadêmico alguém que participa dos programas da mídia, dando asserrorias como participando de debates, etc. Basta ler os depoimentos de P. Bourdieu, entre outros intelectuais, o quanto criticam esses que ou querem simplesmente aparecer na mídia ou acham que o conhecimento científico e filosófico devem ser socializados e, alguém precisa fazer esse papel. Não tomar essa iniciativa é ser cúmplice do elitismo acadêmico ou intelectual. Certa vez ouvi um importante psicanalista dizer que a psicanálise era um saber muito fino para ser oferecido ao povo. Ou seja, basta substituir psicanálise por outro saber nesse pensamento ativo e teremos, por um lado, um plus de elitização psicanalítica de consultóiros e instiuições e, por outro, pessoas carentes não só de comida, mas também de auto-conhecimento.

Da mesma forma, intelectuais tomados pelo vírus academicus, se negaram em criar alternativas, inventar programas mais inteligentes para tv e coisas assim. Nesse vazio psicopedagógico é que surgiram as Xuxas, as Elianas, etc. conduzindo mais que programas infantis, a própria educação delas. Há ainda um verdadeiro ódio ou ressentimento - principalmente da esquerda - quanto a televisão, que é sobretudo um veículo que sabe se comunicar com a massa. Não podemos nos esquecer que milhares de brasileiros iletrados tiveram conhecimento de alguma obra da literatura nacional e mundial, vendo esse na telinha. Claro, são linguagens diferentes, a escrita parece ser mais rica do que a imagem, mas ainda assim é melhor que nada. É melhor conhecer alguma obra via imagem de Jorge Amado, de Érico Veríssimo, ou de Dostoievski, do que ser ignorante delas totalmente.

Se até a loucura porta um sentido, por que não desvelá-los nos programas banais da televisão?

O Big Brother Brasil (BBB) e Casa dos Artistas, pode ser lido para além do ato compulsivo crítico, ou seja, podemos extrair deles algumas lições de Psicologia Social: de como as pessoas tem dificuldade de conviverem juntas, de como é difícil a comunicação entre pessoas, o estresse da convivência diária que lembra qualquer convivência familiar ou entre colegas de trabalho, a invenção de códigos para preservar um mínimo de privacidade entre os membros, a formação de sub-grupos ou "panelinhas" de sobrevivência social, as diferenças de se conduzir como líder etc. Ou seja, pode ser um realismo ficcionado, possivelmente pré-combinado como se fosse uma peça de teatro, mas sem dúvida, além de despertar o prazer-gozo de olhar pessoas, cenas e cenários, podemos ter um olhar treinado para discernir, interpretar, deduzir, identificar estas com outras mais reais. Em outras palavras, algo tomado como sem sentido ou o banal, às vezes é assim visto por alguém não treinado ou com má vontade de elaborar uma interpretação pertinente.

Pode-se interpretar que, há uma tendência dos atuais programas de tv aberta de invasão e evasão do que é privado. Tanto a invasão como a evasão da privacidade é um bom negócio, no primeiro caso para os donos e empregados da programação, e, segundo, no caso da "evasão", para quem deseja participar dela oferendo o que tem como valor de troca. No caso do reality shows, as pessoas se ofereceram participar mais como meio de ascensão social, de obter no futuro próximo fama, prestígio para participar de uma novela, ficar famoso, etc, que pelos 500 mil do final. É preciso saber jogar muito bem o jogo da sobrevivência darwiniana naquela casa. Cada um está de olho no outro - seu rival -, de olho no grupo deve se manter unido, mas até o limite dos interesses individuais e se autocontrolar ao máximo, reristindo as provocações e tensões imperativas da convivência artificial. O participante que se sair menos pior em virtudes ou em moral é elevado pela mídia como se fosse um herdeiro da moral de Kant, mas se passar de um certo limite moralmente inaceitável, como aconteceu com a Xaiane e a Cris, o grupo e o público tendem a excomungar a pessoa da casa.

Suspeito que há alguma coisa de comum na grande audiência por esses programas e no grande número de fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus ou outra religião que sabe fazer show da fé de faz de conta. Dizer que a alta audiência se explica pela baixa educação da população é fazer opinião. A opinião não é episteme, ou seja, não é conhecimento mais elaborado ou racional; a opinião apenas revela a posição ainda não firme do sujeito A opinião não deve ser jogada fora, mas podemos tomá-la como ponto de partida para a elaboração de um raciocínio aproximado do científico.

Existe algo mais que precisamos estudar nesse tipo de programa televisivo - mesmo a chamada "tv lixo" - e que até o momento tem escapado das poucas teorias e dos debates, ambos paradigmáticos. Também não podemos deixar de reconhecer aí um amplo e variado leque de manifestações emocionais e afetivas, que parece manter uma relação com os nossos instintos mais primitivos. Alguém disse que no fundo, quando se trata de nos relacionarmos socialmente, ainda somos muito territorialistas. Ou seja, se alguém invade o nosso espaço psicológico, reagimos como bicho, literalmente. (Já que a política cada vez mais nos decepciona, talvez é por isso que a religião é buscada como tábua de salvação para a nossa solidão, nossos maiores desesperos e desencantos com a vida que levamos).

Não foi sem sentido que Freud reconhecia que o negativo das neuroses era a perversão. O ser humano - alguns mais que outros - gozam em ver outros através do buraco da fechadura, que a psicopatologia chama de voyerismo. A onda despudorada dos programas lixos ou baixaria e as caras produções dos reality shows, tem-se a impressão que há uma autorização radical para que nossa perversão latente se manifeste, sem o medo de pecado ou de culpa. Não foi sem motivo que a logomarca de Casa dos Artistas é um buraco de fechadura e do Big Brother, da Globo, é uma lente que esconde um olho. É como se divulgasse a todos: tranquem sua moral e soltem sua perversão, sem limites e nada vai acontecer de punição. Embora a tv divulgue estar mostrando toda a privacidade de pessoas que querem aparecer - foram mais de 500 mil inscritos para o Big Brother - desde já, deveríamos nos precaver de um futuro não muito longe onde não teremos mais nada para ver. Um futuro próximo cuja dimensão sadia de apreciar as coisas do mundo morreu, porque teríamos perdido o bom senso no limite do olhar. Se hoje, esse tipo de programa "gratifica" personalidades perversas tornado-as compulsivas 24 horas presas na telinha, como serão essas e outras no futuro? O olhar viraria uma patologia?

O mesmo acontece com as mulheres expostas principalmente na televisão. A sexualidade é tão massificada nas telinhas que "que no fundo não tem mais nada de sexual", analisou Jean Baudrillard. Ou como insinuou Jabor: há tantas superbundas e seios siliconados na televisão que nossos pintinhos não conseguem ter tesão nesse rítmo que aparentemente é só desejo.

As mulheres que parecem plenamente livres na mídia, na vida real ainda são usadas, reprimidas, maltratadas e não são totalmente reconhecidas na sua capacidade pelo machismo velado do mundo ocidental. (por exemplo, as top models, salvo as famosas, são despossuídas de seus nomes para dar lugar as roupas de griffes). Nossa moral cristã ainda faz um desconto especial ao homem visto em cenas de sedução ou pré-cópula do que uma mulher. No BBB personagem Xaiane, do BBB, foi considerada volúvel, vulgar, falsa, aquela que quis usar o Kleber mas terminou se dando mal. A imagem do Kleber talvez saiu ganhando mais com as cenas de sedução que ela, que pagou com a desclassificação, a humilhação e uma imagem de mulher vulgar ou volúvel.

Comparando as culturas e a moral do Brasil e os EUA: enquanto que os resquícios da moral puritana deles criticava duramente o então presidente Clinton pelos casos de assédio sexual, no Brasil, a imagem do Itamar, teria saído reforçada com mais pontos de masculinidade quando a imprensa divulgou imagens de uma moça, sua acompanhante, que dançava sem calcinha no seu camarote. Nosso reality show, era alí inaugurado em alto escalão, sem nos darmos conta sobre qual era a moral do político e qual é o sentido da ética do povo que o aplaudia.

* * *

Nossa televisão, nossa gente...

Nossa televisão aberta investe nas obviedades, reforça o culto ao belo, promove a estética grotesca e o assistencialismo rasteiro. O formato de seus programas não autoriza espaço para o pensamento mais elaborado e mais sofisticado, salvo depois das 23 horas e nas tvs por assinatura. Programas como o Jô Soares, Roda Viva, Observatório da Imprensa, esses dois da Tv Cultura de São Paulo, uma televisão pública, vão ao ar depois das 22, 23 horas. Ocorre esse fato, ou porque o "homem televisivo" é meramente visual, carecendo de inteligência, ou é porque a tv que aí está parte do pressuposto de que seu papel não é o de educar ou elevar a cultura do telespectador, mas ao contrário, imbecibilizá-lo.

A tv é um lugar de exibição narcísica. A tv é uma máquina narcísica que fabrica narcisos. Nela, vemos e somos vistos; artistas e mesmo intelectuais aparecem mais para serem vistos que para exporem idéias. Dominado mais pela estética que pela preocupação de conteúdo, sobretudo carente de eticidade, é que a televisão termina resvalando pelo mesmismo das fórmulas repetidas e copiadas, do assunto imposto, do pequeno tempo para exposição de assuntos complexos e interesses cada vez mais da audiência pelo lucro. Por isso que, P. Bourdieu, acha que a tv - enquanto veículo - não serve para se dizer idéias e tratar certos assuntos com profundidade e seriedade.

Personagem da tv gastam tanto tempo em blá-blá-blá em assuntos de lugar comum e com pessoas vazias de conteúdo, sobrando pouco espaço para tratar de assuntos substanciosos e personagens que são exemplos de vida. Se contarmos quanto tempo nela é dedicado para temas ligados a educação do pensamento, da saúde e dos costumes e quanto tempo é usado para a exposição de rostos bonitos, bundas, seios silicionados, jogos, junto com a alienação do lugares comuns do discurso religioso nas madrugadas, teremos o prognóstico não só da moral da televisão, mas do futuro da nação.

Sem nenhum psicologismo, não podemos deixar de reconhecer que a publicidade, a propaganda, os programas infantis, os filmes de crianças e adultos e, até certo tipo de jornalismo, fazem sucesso porquê se aproveitam de nossas pulsões anarquistas mais primitivas e perversas; estas servem para responder mais a estética que a ética. Servem para curtir o prazer gozozo e sem limites, que a coisa chata da obrigação de pensar, de discutir, de discernir o joio do trigo. Somos reféns de nossas pulsões, no sentido freudiano, que nos empurra mais para o sexo que para o amor, mais para a violência que para a paz, mais a quantidade de estímulos visuais sedutores que pela qualidade de programação, enfim, os dominantes da mídia sabem porquê investem mais em ilusão que em verdade. Não que o ser humano não precise de ilusão para realizar suas demandas e enganar seus desejos, mas é necessário fazer a crítica do efeito da manipulação ideológica cuja pretensão é substituir a realidade pela ilusão. Dito de outro modo, ao oferecer o circo como substituto da necessidade de pão, a ideologia que rege a televisão, acredita que as pessoas demandam viver mais de ilusão que de realidade.

O reality show pode ter uma vida curta como qualquer programa de tv que vive de delírio de grandeza num primeiro momento de sucesso para algum tempo depois cair na repetição do mesmo ou do desgaste da fórmula, mas precisamos ver para analisa-lo como um fenômeno psicossocial, político, cultural, etc.

O diplomada Osvaldo Aranha teria dito certa vez "não vi e não gostei". Infelizmente muitos intelectuais tem essa posição que prima pela ignorância. Os programas "tv realidade" e " lixo tv" (Big Brother, Casa dos Artistas, Ratinho, João Kleber, etc) deveriam ser vistos, mas não para "meter o pau" nem para "aprender a gostar" de banalidades ou se lamentar pelo tempo perdido. Sabemos que tais programas funcionam como drogas, viciando a que os assiste e expurgando o pensamento crítico. Mas, assistí0-los é mais uma obrigação de análise e preparo para melhorar seu ato educativos com os incautos.

Antes de tudo, devemos ficar alertas para o verdadeiro big brother (falo da ficção "1984", de George Orwel) que é o império das redes de comunicação como é a própria televisão regendo nossas vidas e nos pressionando a abandonar o nosso e ser o desejo deles.